23 de jun de 2013

Um Brasil diferente II – Copa do Mundo

Não queremos mais ser vistos apenas como o país do futebol! Muito mais do que isso são grandes no agronegócio, na mineração, na produção de aviões e muito mais. Mas o futebol é um produto diferenciado no Brasil. Mas queremos ir além de simplesmente sermos exportadores de nossos craques. Queremos que essa paixão seja capaz de desenvolver Campeonato Brasileiro de altíssimo nível, que permita a estabilidade financeira dos clubes e que a CBF passe por uma profissionalização e pro uma reforma que traga transparência para a entidade.

Estamos em plena Copa das Confederações e daqui a um ano o país sediará pela segunda vez a Copa do Mundo. Tal fato ocorreu em 30 de outubro de 2007. E o país comemorou como se estivesse comemorando um gol do título na decisão do Mundial.

Os custos para a organização e realização da Copa do Mundo R$ 26,5 bilhões (desses aproximadamente R$ 3,8 da iniciativa privada) e já ultrapassa em R$ 2,7 bilhões do previsto, estimando-se um gasto total de R$ 33 bilhões.

Parte desses recursos são gastos com os estádios, mas parte desses recursos está sendo gastos em mobilidade urbana, aeroportos, capacitação turística entre outros. E nessas obras geramos empregos, movimentamos a industria da construção civil e de serviços de engenharia.

É evidente que queremos uma educação pública e atendimento hospitalar com “padrão FIFA” e realizar uma Copa do Mundo traz a necessidade de obedecer a critérios e interesses do órgão maior do futebol mundial, como exemplo venda de bebidas alcoólicas nos estádios, as limitações impostas aos comerciantes locais etc.

O que me preocupa é o quanto desse recurso pode ter sido desviado, mal utilizado, superfaturado. Fora isso, querer jogar, nesse momento da partida, contra a realização da Copa no Brasil me parece muito pouco inteligente.

A título de curiosidade o município onde moro, estará realizando o Festival de Inverno, apenas com os cinco maiores shows serão gastos cerca de R$ 500 mil, além de muitas outras atividades de recreação e cultura, com recursos municipais e da Secretaria de Cultura do Estado.

Nesse evento a cidade movimenta numa praça de alimentação, nas apresentações, nas recreações um número muito grande de pessoas, gerando empregos, recebe muita gente da região movimentando a economia e trazendo cultura e diversão para a população.

Esse mesmo município sofre com um hospital lotado, com poucas unidades de UTIs e com outro hospital que não atende mais com um pronto socorro.
                
Mas entendo que num município, num estado e num país as coisas devem andar juntas e com boa gestão podemos aproveitar eventos (como o carnaval, o futebol, festivais) para crescer como destino turístico e movimentar a economia.
                
Li numa matéria outro dia que apenas para a Copa das Confederações 77 empresas brasileiras (que não são as patrocinadoras) trouxeram do exterior cerca de 900 pessoas e a previsão de negócios chegava a R$ 1 bilhão.
                
A Copa do Mundo será transmitida por cerca de 400 emissoras e cerca de 3 bilhões de pessoas estarão vendo os jogos e conhecendo um pouco do Brasil. Espera-se R$ 8.9 bilhões de reais em divisas internacionais em 2014, um aumento de 13% em relação a 2013.
                
Apenas a titulo de análise, 89 milhões de pessoas visitaram a África do Sul em 2010 e na Alemanha o gasto médio diário dos turistas durante a Copa do Mundo foi de 400 euros.

                
Queremos um Brasil diferente! Onde nossos direitos sejam respeitados e onde saibamos cumprir como nossos deveres de cidadãos. Mas queremos também um país que pense e que não seja manipulado por nenhum lado.

Ricardo Moncorvo Tonet
23/06/2013